ESPÉCIE INVASORA - ATLÂNTICO SUL
PEIXE-LEÃO
Pterois Volitans
Originário do Indo-Pacífico, o peixe-leão é uma espécie invasora que se espalhou pelo Oceano Atlântico e ameaça os recifes de coral, inclusive na costa da Paraíba. Conheça os riscos e como você pode ajudar no seu controle.
300m
PROFUNDIDADE MÁXIMA
1.200+
CAPTURAS EM NORONHA
64
OCORRÊNCIAS NA PARAÍBA
SAIBA MAIS
⌄
Informações sobre o peixe-leão:
Nome Científico: Pterois Volitans
Pterois volitans, conhecido como peixe-leão, é uma espécie de peixe marinho originária da região do Indo-Pacífico que se tornou invasora no oceano Atlântico. No Brasil, sua presença vem sendo registrada principalmente em ambientes recifais do litoral nordestino. Embora a maioria dos registros seja de Pterois volitans, a ocorrência de Pterois miles no país não pode ser descartada, pois as duas espécies são muito semelhantes em sua aparência. O peixe-leão vive principalmente em recifes de coral e afloramentos rochosos, mas também pode ser encontrado em áreas arenosas próximas ao fundo, manguezais, florestas de macroalgas marinhas e canais. É uma espécie mais ativa durante o amanhecer e o entardecer, períodos em que costuma permanecer mais exposta. Uma de suas principais características é a grande capacidade de adaptação, conseguindo sobreviver em ambientes com baixa salinidade, alta turbidez, variações de pH e diferentes temperaturas, inclusive em áreas influenciadas pela pluma de rios. Além disso, pode ocorrer desde águas rasas até profundidades superiores a 300 metros. Seu longo período larval, sua boa capacidade de natação e sua ampla tolerância às condições ambientais favorecem sua rápida dispersão ao longo da costa. Trata-se de um predador carnívoro altamente eficiente, que se alimenta de peixes, crustáceos e moluscos. Sua dieta inclui espécies de importância comercial para a pesca, como pargos e garoupas, além de juvenis de outros peixes economicamente importantes. O peixe-leão também consome peixes herbívoros que desempenham funções essenciais nos recifes, especialmente no controle do crescimento das algas. Por isso, sua presença pode causar desequilíbrios ecológicos e impactos significativos sobre a biodiversidade marinha. Como é uma espécie exótica no Atlântico, possui poucos predadores naturais capazes de controlar suas populações, o que favorece seu estabelecimento e expansão na região.
Classe
Actinopterygii
Ordem
Scorpaeniformes
Família
Scorpaenidae
IUCN
Pouco preocupante
Habitat
Recifes até 300 m
Dieta
Peixes, crustáceos, moluscos
O peixe-leão pertence à mesma família do peixe-pedra e do peixe-escorpião, espécies reconhecidas pela elevada toxicidade. Seus espinhos possuem estruturas especializadas capazes de inocular veneno, causando acidentes em seres humanos. A toxina é classificada como dermonecrótica e pode causar necrose tecidual em alguns casos. Os sintomas mais comuns incluem dor intensa e lancinante, vermelhidão, inchaço e sensação de queimação na área afetada. Embora os acidentes raramente sejam fatais, é importante buscar atendimento médico em casos de envenenamento.
Devido ao elevado potencial invasor e aos impactos ambientais associados à espécie, o monitoramento do peixe-leão é fundamental para auxiliar ações de manejo, controle e conservação da biodiversidade marinha brasileira.
Invasão no atlântico
O Pterois volitans é um peixe nativo do Indo-Pacífico, mas desde o início do século XX tem sido avistado e vem se estabelecendo ao longo da costa sudeste dos EUA, do Caribe, em partes do Golfo do México e recentemente, nas águas do Atlântico Sul.
Por ter se mostrado altamente impactante para a fauna e ecossistemas recifais do Atlântico, é classificado como espécie-invasora, sendo necessário o monitoramento de sua expansão territorial ao longo dos anos.
Embora a causa exata da ocorrência da espécie seja desconhecida, é provável que as atividades humanas tenham colaborado significativamente, provavelmente pelo despejo dos peixes-leão de aquários domésticos no Oceano Atlântico.
Histórico de Invasão
O primeiro indivíduo avistado no Atlântico se deu na Flórida em 1985, e foi se estabelecendo na costa leste dos Estados Unidos, chegando nas Bahamas em 2004 e em todo litoral do Caribe e Golfo do México até o ano de 2010.
Em 2014 e 2015, indivíduos foram observados em águas brasileiras: dois indivíduos em Arraial do Cabo (RJ), e um próximo à pluma do Rio Amazonas, no estado do Amapá (2020).
Em Fernando de Noronha – arquipélago oceânico brasileiro – o Projeto de Manejo do peixe-leão (Pterois sp.) tem apresentado resultados positivos desde sua implementação em 2021: é o que aponta o relatório parcial do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Noronha sobre as estratégias adotadas até o momento. Desde o primeiro avistamento da espécie nas águas do arquipélago, foram capturados mais de 1.200 peixes até dezembro de 2025 (https://www.parnanoronha.com.br/).
Na Paraíba foram registradas até o início de abril de 2026, um total de 64 ocorrências, sendo elas 52 capturas e 12 avistamentos.
Causa:
Apesar da causa exata ser desconhecida, acredita-se que a introdução
do peixe-leão no Atlântico tenha sido causada por ações humanas, como
o descarte de exemplares de aquários no oceano. Por seu alto impacto
sobre a fauna e os ecossistemas recifais, é considerado uma espécie
invasora e requer monitoramento constante de sua expansão.
1985
Primeiro avistamento no Atlântico, na costa da Flórida.
2004
Espécie atinge as Bahamas e se espalha pelo Caribe.
2014
Primeiros registros em águas brasileiras, em Arraial do Cabo (RJ).
2020
Indivíduo registrado próximo à pluma do Rio Amazonas (AP).
2021
Início do Projeto de Manejo em Fernando de Noronha.
2026
64 ocorrências confirmadas no litoral paraibano.
Medidas mitigatórias para desacelerar a invasão:
Existem diferentes técnicas e estratégias descritas para a captura do peixe-leão, sempre priorizando a segurança do mergulhador e do pescador. Como a espécie apresenta certa fidelidade ao local onde se estabelece, a marcação das áreas de ocorrência e o tempo de busca são fatores importantes para reduzir o esforço de procura e aumentar a eficiência das capturas. Considerando o número ainda reduzido de indivíduos registrados no estado até o momento, os métodos mais indicados incluem o monitoramento direcionado e a remoção física dos exemplares, utilizando redes e arpões.
Diversos especialistas vêm estudando cuidadosamente a invasão do peixe-leão para compreender melhor seu papel ecológico e os potenciais impactos sobre os ecossistemas do Atlântico. Nesse contexto, é fundamental que os indivíduos capturados sejam encaminhados para instituições de pesquisa credenciadas, possibilitando análises relacionadas ao estado de maturação gonadal, genética, conteúdo estomacal e outros aspectos biológicos relevantes para o monitoramento da invasão.
No Brasil, iniciativas voltadas ao desenvolvimento de métodos de controle também vêm sendo realizadas. O biólogo, mergulhador e professor da Universidade de Pernambuco (UPE), Múcio Benja, desenvolveu um protótipo de armadilha para captura do peixe-leão, inspirado em modelos já utilizados em outros países afetados pela invasão.
Apesar dos esforços de controle, pesquisadores apontam que as populações invasoras de peixe-leão tendem a continuar se expandindo e dificilmente poderão ser eliminadas por métodos convencionais. Dessa forma, ações integradas de monitoramento, remoção e pesquisa são consideradas essenciais, uma vez que, após o estabelecimento da espécie, sua erradicação torna-se extremamente difícil.
Pesquisa científica integrada
Exemplares capturados são encaminhados a instituições credenciadas
para análise de genética, dieta e maturação gonadal.
Capacitação comunitária
Cursos para pescadores, mergulhadores e órgãos ambientais fortalecem
a rede de monitoramento participativo.
Marcação de áreas de ocorrência
Registro georreferenciado permite reduzir esforço de busca e aumentar
a eficiência das rondas de captura.
Remoção física direcionada
Uso de redes e arpões por mergulhadores treinados é o método mais
indicado dado o número ainda reduzido de indivíduos no Estado.




Ações de monitoramento e controle do peixe-leão na Paraíba
As discussões sobre a possível chegada do peixe-leão à Paraíba tiveram início antes mesmo dos primeiros registros da espécie no estado. Em 2022, o tema foi abordado durante a II Semana Oceânica PB, em uma mesa-redonda que reuniu pesquisadores, gestores públicos, órgãos ambientais, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e representantes do setor pesqueiro.
Em 2023, foram realizadas capacitações voltadas para pescadores, mergulhadores e profissionais que atuam na zona costeira, contemplando municípios do litoral sul, central e norte da Paraíba. Nesse mesmo ano, o tema também integrou a programação da III Semana Oceânica PB, promovendo a conscientização da população sobre os riscos associados à invasão da espécie.
Embora ainda não seja possível determinar com precisão todos os impactos do peixe-leão sobre os ecossistemas marinhos e as atividades econômicas locais, sabe-se que espécies invasoras podem causar alterações significativas na biodiversidade, afetando populações de peixes nativos e recursos pesqueiros.
Diante desse cenário, diversas ações de prevenção, monitoramento e controle vêm sendo desenvolvidas no estado. Em 2024, a SUDEMA contratou uma empresa de mergulho profissional para realizar a captura direta de indivíduos em Unidades de Conservação da Paraíba. Além dos exemplares capturados pelas equipes contratadas, também foram recebidos indivíduos coletados por mergulhadores profissionais e pescadores locais.
O monitoramento contínuo e a integração entre instituições de pesquisa, órgãos ambientais, pescadores, mergulhadores e sociedade civil são fundamentais para reduzir os impactos da espécie. Embora sua erradicação seja considerada improvável após o estabelecimento das populações, estratégias de manejo e controle podem diminuir significativamente sua dispersão e seus efeitos sobre os ecossistemas marinhos.
Nesse contexto, o Sisfaumar vem atuando no fortalecimento de uma rede de ciência cidadã para o monitoramento do peixe-leão, incentivando a participação de pescadores, mergulhadores e da população no registro de ocorrências da espécie. Essa colaboração amplia a capacidade de detecção, acompanhamento e resposta frente ao avanço do peixe-leão no litoral paraibano.




Risco de Envenenamento
Nunca tente capturar o peixe-leão sem equipamentos adequados. A espécie possui espinhos venenosos e exige manejo por mergulhadores treinados.
Encontrou um Peixe-Leão?
Caso encontre um exemplar em nossas praias, comunique direto pelo nosso portal.
+ Enviar Ocorrência